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Adubação Nas Lavouras de Milho de Segunda Safra
Cuidados quanto ao tipo de nutrientes a serem fornecidos e o momento ideal para realizar a fertilização proporcionam bom desenvolvimento à cultura.
 
A produtividade de milho na agricultura nacional registrou crescimento considerável nos últimos dez anos. Conforme informações da Embrapa Milho e Sorgo, esse avanço pode ser justificado por meio da disseminação de tecnologias, de informação e da capacidade gerencial dos agricultores. Contudo, a lavoura de milho safrinha não está sendo adubada de forma adequada, o que coloca em riscos a produção dos grãos. Os nutrientes necessários para adubação da cultura na segunda safra (safrinha) são os mesmos utilizados na safra de verão. No entanto, a quantidade administrada de compostos é reduzida, já que a produção na safrinha é limitada por conta da baixa disponibilidade hídrica durante o ciclo. O que ocorre muitas vezes é que o produtor faz menos investimentos em fertilizantes para a cultura, ocasionando o desenvolvimento da lavoura por meio de nutrientes residuais aplicados na safra anterior de soja. Isto acaba por comprometer a produção do milho safrinha, caracterizando-o como uma lavoura de risco maior. Há casos em que o agricultor semeia o milho sem adubo, aplicando apenas nitrogênio (N) em cobertura.
 
 
Manejo na Adubação

A identificação dos nutrientes a serem utilizados na adubação do milho segunda safra irá depender da quantidade de nutrientes aplicados na cultura anterior. “Se o solo da área plantada já tem alta fertilidade e se essas quantidades forem suficientes para uma boa produção da cultura anterior, deixando efeito residual para o milho safrinha, praticamente não haverá necessidade de adubação na segunda safra, com exceção talvez para o nitrogênio”, explica o engenheiro agrônomo e consultor técnico da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), Alfredo Sheid Lopes.
 
A má adubação do milho safrinha pode causar prejuízos para outras culturas posteriores, como soja e algodão. Se o cereal na segunda safra tem uma produção satisfatória em período de chuva abundante sem que tenha recebido adubação suficiente para repor as quantidades de nutrientes exportadas durante a colheita dos grãos, possivelmente haverá redução da quantidade de nutrientes no solo. De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Álvaro Vilela de Resende, caso o produtor não esteja atento, não realizando, portanto, as correções necessárias ao longo do tempo, a baixa fertilidade do solo provocará prejuízos quanto ao potencial produtivo das culturas posteriores. “Sem o devido monitoramento das quantidades de nutrientes exportados e os cuidados para o correto dimensionamento das adubações de manutenção, todo o sistema de culturas em rotação poderá ser afetado negativamente”, afirma. Alfredo Sheid, complementa sob a afirmação de que nesses casos em que não se tem uma adubação adequada para o milho, e que não tenha resíduos originários da cultura anterior, consequentemente será necessário um processo de adubação mais adequado e balanceado de culturas de soja e algodão, posteriores ao cultivo de milho segunda safra.
 
Plantação de Milho
 
A adubação inadequada pode ser um fator determinante para limitar a produção do cereal, ainda que a disponibilidade hídrica e a temperatura sejam favoráveis. Assim, demais investimentos como insumos, sementes de alto potencial genético, além de defensivos que auxiliam no bom desenvolvimento da lavoura, podem não ser utilizados de maneira satisfatória. Isso irá acarretar em baixa rentabilidade ao agricultor. Também, em consequência à adubação incorreta no plantio do milho safrinha, é necessário que o produtor tenha um cuidado ainda maior no estabelecimento de culturas seguintes.
 
Embora o ataque de pragas e doenças na lavoura de milho safrinha na região do Brasil Central não seja causado por problemas nutricionais, em sua maioria, os desequilíbrios nutricionais ou a adubação ineficiente podem ocasionar estresses bióticos. Estes podem ser caracterizados pelo aparecimento de tais microorganismos, potencializando os prejuízos. As práticas de manejo correto da fertilidade do solo contribuem para proporcionar maior resistência das plantas aos problemas fitossanitários. Segundo o presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), José Otávio Menten, plantas que se apresentam em bom estado nutricional podem suportar melhor o ataque de insetos, ácaros e agentes fitopatogênicos. Assim, é importante a correta adubação do plantio, através da análise do solo, uma vez que, tanto o excesso (especialmente de nitrogênio), quanto a falta de nutrientes são favoráveis ao aparecimento de pragas ou doenças na lavoura de milho.
 
Para manter a lavoura livre da ação de insetos-pragas e doenças, o produtor deve combatê-los por meio de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Portanto, devem ser utilizadas todas as medidas disponíveis, as quais abrangem métodos legislativos, biológicos, químicos, físicos, mecânicos, genéticos e culturais. Assim, será alcançada maior possibilidade de sucesso no desenvolvimento na lavoura.
 
O pesquisador Álvaro Vilela afirma que a quantidade correta de nitrogênio (N) a ser administrada na cultura de milho safrinha irá depender de todo o histórico da mesma. Esse processo corresponde à sequência de culturas, adubações realizadas, uso de plantas de cobertura, dentre outros. Além disso, tem de ser analisado ainda o teor da matéria orgânica do solo, as condições climáticas que podem favorecer ou retardar o processo de decomposição dos restos culturais e, especialmente, a expectativa de produção do milho na segunda safra. ”Um valor de referência comumente utilizado é que a demanda da cultura corresponde a cerca de 20 kg de N por tonelada de grãos produzida. Entretanto, quando consideramos os créditos de N no sistema, a quantidade que se deve aplicar na forma de fertilizante geralmente fica abaixo desse valor. A quantidade a fornecer é menor quanto maior o teor de matéria orgânica do solo e se a cultura precedente na área foi uma leguminosa como a soja”, aponta o pesquisador. Com base nisso, para a região do Brasil Central, adota-se como viável a dose de 100 kg/ha de nitrogênio para impulsionar o cultivo de milho safrinha.
 
Contudo, cabe salientar que o produtor não deve eliminar ou reduzir severamente a adubação nitrogenada, uma vez que assim o fazendo, poderá colocar em risco a sustentabilidade do sistema de produção. Portanto, o ideal é seguir as recomendações oficiais regionais para adubação da lavoura.
 
A cultura de milho, assim como a de soja, alcança maior produtividade ao longo dos anos. Com isso, em locais onde se plantava apenas uma safra, são produzidas duas, a cada ano. Assim, devido a esse cultivo mais prolongado, a chance de esgotamento rápido da fertilidade do solo aumenta. Muitas vezes, os agricultores não se atentam a essa questão. Utilizam apenas adubações fixas, de outros anos produtivos, não avaliando as alterações quanto á fertilidade do terreno causadas pelo decorrer dos tempos.
 
No cultivo de milho safrinha a oferta de potássio (K) é essencial para o desenvolvimento saudável da lavoura. Para cada tonelada de grãos colhidos, são exportados 6 kg de óxido de potássio (K2O), sendo que a extração do composto químico é ainda maior: se aproxima de 24 kg de K2O na produção de uma tonelada. Assim, percebe-se o quão rápido e facilmente o sistema produtivo pode se tornar insustentável, inviabilizando, portanto, a produção do cereal. "Entretanto é preciso lembrar que a integração lavoura-pecuária que agrega capim colonião ou outro, por dois anos, em rotação com a sucessão soja/milho é um sistema com maiores probabilidades de melhorar a produção de soja/milho em sucessão e aumentar a sustentabilidade do sistema como um todo", acrescenta o engenheiro agrônomo Alfredo Sheid.
 
 
Fase de Adubação

Nos casos em que a soja é cultivada antes do plantio do milho, a oleaginosa proporciona quantidade de resíduos de nitrogênio suficiente no solo para nutrir a produção de milho safrinha no estágio inicial. Portanto, quando isso ocorre, a adubação nitrogenada deve ser realizada nas lavouras de milho apenas no estágio de folhas bem desenvolvidas. Diferentemente, quando não se tem cultura anterior que produza proporções adequadas de resíduos, a plantação de milho safrinha deve receber 1/3 de dose de nitrogênio durante o plantio e 2/3 em cobertura, na fase de folhas bem desenvolvidas.
 
Em termos gerais, a fase ideal para a adubação nitrogenada na lavoura de milho é em cobertura, no intervalo dos estágios V3 (estágio em que se têm três folhas completamente desenvolvidas), e V6 (quando o ponto de crescimento e o pendão estão em um nível superior ao do solo, podendo aparecer perfilhos). Quando a demanda por fósforo no cultivo de milho safrinha não é abastecida previamente por meio de adubação extra na cultura de verão, o agricultor deve providenciar a aplicação do nutriente no sulco de semeadura do milho.
 
Entretanto, conforme explica Alfredo Sheid, para a maioria dos nutrientes, a adubação também pode ser realizada em uma única aplicação. Esse procedimento deve ser efetivado durante o plantio, 5 cm ao lado e 5 cm abaixo das sementes. Como exceções, destacam-se a aplicação de nitrogênio (N) e de potássio (K). Neste último caso, recomenda-se doses de 50 kg de óxido de potássio (K2O) por hectare, aplicando-o em duas etapas para evitar possíveis problemas quanto a germinação, os quais podem ser causados pelo excesso de sais potássicos junto as sementes.
 
Para que o agricultor obtenha boa produtividade e, consequentemente, rentabilidade na produção de milho safrinha deverá se atentar à época de semeadura. Quanto mais tarde se efetivar o plantio (a partir de fevereiro), menor será o potencial produtivo. Dentre os cuidados necessários para garantir sucesso na produção, destacam-se o tratamento das sementes, qualidade da semeadura (plantabilidade), determinação do estande ideal (que diz respeito à densidade do plantio), monitoramento e controle de doenças, além da aplicação adequada de nutrientes no solo. Para realizar esse diagnóstico é importante a presença de um técnico da área, já que este é capacitado para orientar o produtor.
 
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Autor: Matéria Retirada da Revista Produz
Fonte: Revista Produz

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